08 setembro 2026

às vezes fico me perguntando
será que vivo do jeito que quero?
para trás vivo lembrando
para frente me desepero

07 setembro 2026

Medo que a vida ande para trás
que a liberdade seja só um slogan
que para ter opinião
seja preciso perder as palavras

Medo que a barbárie se perpetue
que a família seja uma só
que o riso de hoje
seja o pranto de alguns anos

Medo que a vida fique difícil de suportar
sem a possibilidade de amar
sem a possibilidade de dizer
que os raios de sol vão demorar a voltar
pode ser que me atrapalhe
para dizer que gosto de ti
um vento bobo à tarde
o mais sincero que eu já vi
Eu choro porque as coisas existem
porque a sinapse acontece
porque um filósofo discorre sobre a paternidade

Eu choro porque uma atriz é homenageada
e porque a fome é obscena

As coisas tem o peso de uma tonelada
e ferem o canto do sabiá numa manhã de sol
tenho a cabeça falhada
isso vai ser até o fim
às vezes não sei como lidar
com essa falta de mim