Era pouco antes das sete da noite quando chamou o Uber para encontrar com ele no restaurante vegano que a amiga havia inaugurado uma semana antes no centro da cidade.
Estava nervosa. Era o primeiro encontro. Tinham trocado meia dúzia de palavras pelo Threads, depois a conversa desenrolou no WhatsApp.
Fazia quase um mês que tentavam se conhecer pelo aplicativo.
Antes de sair ficou de frente para o espelho de corpo inteiro e achou lindo o vestido feito pela avó, uma exímia costureira.
Deu uns pegas numa ponta que estava no cinzeiro, algumas borrifadas de perfume no pescoço e três goles de água.
O Uber chegou.
Por todo o percurso não deu uma palavra, mas percebeu os olhares maliciosos do motorista pelo retrovisor, que parecia encantado pelo vestido.
Quando chegou em frente ao restaurante, pagou o motorista com pix e desceu do carro meio desajeitada.
Era o nervosismo.
Ele já estava esperando sentado numa mesa no canto do salão. Ela o reconheceu pela foto de perfil que ele mantinha no Threads. Vieram as apresentações:
- Roberto?
- Cíntia! Que prazer!
Sentaram-se um de frente para o outro.
- Algo para beber? - perguntou ele.
- Um vinho.
Assim ele pediu para o garçom.
- Então, me diga, como tem passado?
- Bem, meio sem tempo por conta do trabalho, mas para encontros especiais a gente sempre dá um jeito. - sorriu querendo ser simpática.
Chegava o vinho para ela e uma dose de uísque para ele.
- Seu vestido... - disse ele provando o uísque com um sorriso sarcástico no canto da boca.
- Gostou? Minha vó que fez. Fez especialmente para esta noite.
- Parece uma toalha de mesa. - e soltou uma gargalhada.
Ela ficou desconsertada. Olhou para baixo e pensou no que fazer. Levantou-se e não disse nada. Saiu pela mesma porta que entrou. Nem se despediu da amiga que estava atrapalhada recebendo as contas no caixa.
Deu para o primeiro motorista de Uber que aceitou a corrida de volta para casa. Por sinal, muito gentil.
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